domingo, dezembro 28, 2008

Esqueci-me de me lembrar

Ontem, esqueci-me de ti!
Lembrei-me de te ver,
Lembrei-me de te falar e de te ouvir,
Lembrei-me de te exalar e de te sentir.
Mas esqueci-me de ti!
Lembro-me da luz que irradia de ti,
Mas esqueci-me de olhar os teus olhos.
Lembro-me da sabedoria que transmites,
Mas esqueci-me de pedir as tuas palavras.
Lembro-me da sensualidade da tua voz,
Mas esqueci-me de ouvir esa tua canção.
Lembro-me do odor da tua pele,
Mas esqueci-me de absorver o teu perfurme.
Lembro-me dos teus lábios, do teu corpo,
Mas esqueci-me de te beijar e ser beijada.
Porque me deixas esquecer de ti?
Ontem, esqueci-me de ti!

Ri-te!

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segunda-feira, julho 21, 2008

Saudade

Saudade
De ti,
Do teu amor,
Das tuas palavras,
Das tuas carícias,
Do que me fazes sentir
Quando voltarei a ver-te?
Quando voltarei a ouvir-te?
Quando voltarei a respirar-te?
Quando voltarei a tocar-te?
Quando voltarei a provar-te?
Volta depressa,
Saudade

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sexta-feira, julho 11, 2008

Coração desperto


Ao ver os teus olhos
Ao beijar a tua boca
Ao cheirar o teu corpo
Ao tocar a tua pele
Ao ouvir o teu murmúrio
O meu coração desperta
para quem eu sempre quis que abrisse.

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domingo, julho 06, 2008

Chego a casa

Hoje chego a casa e é um alívio. O dia estava quente e abafado. O cansaço acumulado do dia entranhou-se em mim e pareço sentir as suas raízes a vincarem com firmeza nos poros do meu corpo. Sei que a porta de casa é como um portal para outra dimensão, uma em que eu possa sentir o ar fresco e a água morna em mim como o jardineiro que afincadamente arranca as profundas ervas daninhas. Sei que o que me espera é a paz e o descanço. Mas, assim que a porta se fecha atrás de mim, reconheço que estou enganada.O cheiro... Reconheço a fragrância e a paz foi-se. Agora, toda eu sou sensações que se precipitam numa correria desenfreada em direcção ao abismo cada vez mais perto.
O som... Reconheço o respirar e a paz foi-se. Agora, toda eu sou arrepios que me percorrem como as gotas de água que antes desejava. É o sussurrar que me empurra um pouco mais para o abismo.
A visão... Reconheço o quadro e a paz foi-se. Agora toda a mente se esvazia enquanto percorro com o olhar os lençois desalinhados que quase não escondem o que me põe a um passo do abismo.
O toque... Reconheço a matéria prima e a paz foi-se. Agora toda eu sou pele que me aperta e me asfixia enquanto as minhas mãos desenham a obra construida no auge do artista, e que me empurra para o abismo.
O sabor... Reconheço a ementa e a paz foi-se. Agora toda eu sou corpo que está à beira do abismo e que não reclama quando desprende o que ainda não me tinha deixado cair.
A paz foi-se e o prazer faz-me cair então no profundo do abismo, sem possibilidade de voltar atrás. Agora estou deitada, continuo cansada mas estou em paz. Com o seu vagar arranca o que ainda resta das raizes das ervas daninhas, quando me inspira, quando me ouve, quando me olha, quando me toca e quando me saboreia. Tenho o jardineiro a meu lado e é um alívio quando, hoje chego a casa.

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terça-feira, junho 17, 2008

Como é ser cego?

Existe um mito em torno da cegueira que portamos que faz dela um monstro que ela não é. A cegueira não machuca, não dói, não limita tão radicalmente como pensam os que enxergam quando fecham os olhos por um minuto imaginando serem cegos, também não é doença. Acostuma-se com ela e o dia a dia é tão dia a dia que esqueço da cegueira e acabo por ver do jeito que "vejo" sem lembrar que não é visão! Depois de algum tempo de cegueira pode-se trabalhar, viver, ter todos os prazeres sexuais, emocionais e intelectuais que todos podem ter. Nosso problema não é entre nós cegos e a cegueira e sim entre ela e a sociedade. Ficamos sempre por detrás de um muro que faz não nos enxergarem como somos em nossa diferença e em nossa igualdade. Quando percebo os limites dos outros, principalmente os de saúde, como eu mesmo os tenho, é que sinto com nitidez como a minha cegueira é o menor problema que possuo, se é que é problema! É uma diferença, um limite que dependendo de mim pode ser diminuído ou aumentado. Existem muitos cegos que descarregam como culpa da cegueira suas incompetências pessoais e educação desinformada. Em verdade, nossa deficiência depende de quem a porta. Ela nos limita de fato, nos diferencia socialmente também, mas uma boa cabeça pode ultrapassar os obstáculos imaginários reduzindo-os aos reais e procurar superar as reservas sociais desnecessárias. Fazemos um esforço maior, temos que aprender mais coisas, driblar muitas emoções de rejeição e baixa estima, superar o condicionado estigma de que somos incapacitados, criado geralmente por pessoas que nem cegos são para sabê-lo, apenas imaginam! Mas, com persistência, podemos alcançar um grau de emancipação e independência excelentes!
Vou acabar como comecei: existe um mito em torno da cegueira que portamos que faz dela um monstro que ela não é.
MAQ (Marco Antonio de Queiroz.)

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